A volta…

Novembro 20, 2008

Vejo teus olhos me fitarem, assim, de relance e muito rápido.
Sinto-me querida. Não sei se sou, mas sinto.
Anos se passaram e tudo voltou ao mesmo ponto, o que me dá mais certeza de que em minha vida nada tem um ponto final, são vírgulas ou no máximo reticências…
Você não mudou, nem eu. Falo demais e você mal abre a boca ou olha nos olhos. Eu encaro, sinto, entro em seu íntimo e desvendo seus segredos com só um olhar e sem que você perceba.
O mesmo olhar tímido, sorriso no canto da boca e abaixando os olhos você dá mais um trago no cigarro, exatamente como há alguns anos, exceto pelo cigarro.
No celular uma mensagem não enviada, o destinatário? Gabriela. – “Oi amor, haha. Boa noite ;*”.
O tom irônico e talvez sarcástico eu entendo, porque também uso.
Nesse momento meus pensamentos conflitam-se e eu só preciso saber: Como é que essa história vai terminar?

Hoje eu me peguei pensando em você, eu sei, isso é normal, mas hoje foi diferente, eu não pensei em te ligar e perguntar se você me ama. Não pensei em como é bom deitar na cama e passar a mão no seu cabelo, nem em como faz falta o seu carinho o dia todo e muito menos no quanto eu gosto de te irritar só para poder brigar e fazer as pazes.
Dessa vez eu pensei em tudo que você nunca vai saber, talvez por vergonha ou mesmo por nunca achar o momento certo.
Não direi que morro de ciúmes, que pergunto se você tem saudade só para você perguntar também e eu poder dizer que sim. Não direi que seus olhos me acalmam e o quanto me sinto protegida ao seu lado, o quanto eu gosto de pegar na sua mão, dos seus abraços e também que com você eu vivi um sentimento diferente: a saudade e o amor juntos. Você nunca saberá que me ensinou a voltar atrás ou/e que eu voltava atrás por sentir sua falta e que odeio o fato de te ver tão pouco.
Foi justamente por querer te ligar, perguntar se você me ama, brigar, desligar na sua cara e não conseguir dizer o quão importante você é pra mim que tudo isso fica nos meus pensamentos diários.

[março de 2007]

… [4]

Agosto 22, 2008

“É triste saber que falta alguma coisa e saber que não dá pra comprar, substituir, esquecer, implorar. É triste lembrar como eu ria com ele. Mas amor, você sabe, amor não se pede. Amor se declara: sabe de uma coisa? Ele sabe, ele sabe.”

- Tati Bernardi.

… [3]

Agosto 6, 2008

Eu já sabia do tapa na cara e a dor que ele causaria, mas mesmo assim peguei tua mão e joguei contra meu rosto, só para poder estar ao seu lado e te sentir novamente.

É estranho como mesmo longe te sinto tão perto, tão presente, tão comigo. Sinto como se pudesse conversar com você por pensamento, te contando tudo e imaginando suas reações e respostas. Você é tão previsível, não sei como pude me sentir assim por você. Vôce não é nada do que eu sempre imaginei e quis pra mim. Na verdade, você é. Todos seus defeitos, seu jeito, sua personalidade. Sinto tanto sua falta, das nossas conversas e tudo. Quando nós estavamos em nossa melhor fase, acaba. Dessa vez eu acho que pode ser para sempre, mas das outras vezes eu também achei que seria. Eu sei, agora é diferente, você tá diferente, mas até que isso não é tão ruim.
Não sei muito bem o que dizer pra você, na verdade tenho medo. Queria te dizer alguma coisa que fizesse você sentir o mesmo, mas acho que não te conheço mais o suficiente para prever suas reações. Queria explicar meus sentimentos, mas ainda não encontrei nenhuma palavra para traduzi-lo, nenhum sentimento pré-existente, é algo maior, mais forte, uma espécie de sentimento-sem-nome, aquele sentido só uma vez na vida, quando se tem sorte.
Vezenquando me culpo por não ter o deixado fluir, mas não me arrependo. Foi melhor assim, pelo menos por enquanto. Não pode acabar assim. Te espero em um futuro próximo. Você vai voltar, eu sei. Quando eu menos esperar e as maiores lembranças suas não passarem de lembranças tudo vai voltar com mais intensidade do que já foi vivido.
Deixo aqui implícito o meu ‘Eu te amo’ e quero que você saiba que é tão sincero quanto o seu foi a algum tempo atrás.

The Lovers - René Magritte

The Lovers - René Magritte

Stay close, don’t go.

Julho 3, 2008

somos uma prova do destino, mas esse muitas vezes nos dá opções de escolha e é aí onde erramos.
porque não optar pelo certo, pelo pré-determinado? porque essa mania louca e inconsequente de querer se aventurar?
eu me aventurei e por mais de uma vez deixei o amor escorrer por entre meus dedos. a minha facilidade de agarrá-lo nessa hora desaparecia, meu desespero colocava-se no comando e não tinha mais como tentar negar.
eu havia errado da mesma forma, exatamente do mesmo jeito.
eu sempre demorei tempo demais para aceitar as coisas, para me aceitar e tomar uma atitude. você esperou meu tempo, mas como já era previsto, ele não apareceu e nem deu uma explicação para isso.
vou ser sincera, meu mundo não desabou. não dessa vez.
aprendi a conviver com o caos e os transtornos que envolvem (a falta de) amor em minha vida.
talvez erramos em achar que o nosso destino era ficarmos juntos.
talvez acertamos na hora errada.
meu medo de te perder se pôs tão imenso que pela primeira vez eu me anulei completamente por amor.
gosto de te ter perto de mim mas não posso tomar muitas doses de você. me deixa desnorteada, apaixonada e principalmente: segura.
justamente a segurança que me dava coragem para fazer o que eu nunca havia feito. eu tinha medo disso também.
além de todas as paranoias havia ainda o fracasso. não conseguir retribuir à altura o amor que me era oferecido.
o amor se colocou de formas diferentes em cada um de nós, mas não sei dizer de qual lado foi dado mais amor.
mas ainda não acabou. quero você comigo de qualquer maneira.
te quero me dando inspiração. te quero feliz.
te quero longe e para sempre meu.

29 de Março de 2007.

O Teatro Mágico - 29 de Março de 2007.

22 de Abril de 2007.

Cordel do Fogo Encantado - 22 de Abril de 2007.

“É sempre amor, mesmo que mude. É sempre amor, mesmo que alguém esqueça o que passou…”

Monólogo.

Julho 1, 2008

Sinto-me presa num mar de sentimentos, muitos deles desconhecidos.
Logo eu, que sempre fui tão fria… Mas que ironia do destino.
(Ou talvez seja amadurecimento.)
Sofrimento, talvez.
(Dúvida.)
O mundo girando freneticamente e eu aqui, parada, esperando, esperando…
Esperando o que? Eu nem sei o que esperar.
(Talvez amor.)
Talvez eu até saiba.
(É claro que você sabe.)
Talvez eu até já tenha tido motivos pra parar de esperar, mas porque continuo então?
(É medo.)
Acho que é pra poder perder e continuar a esperar.
(É medo de amar!)
Porque não assumo que encontrei e paro de esperar por nada?

Vou fazer acontecer.

(25 de Novembro de 2007)