Abismo

Abril 24, 2009

“Ele está louco por mim. Eu sou tão misteriosa e inatingível e dura e alta. Ele me abraça por trás. Eu gosto dele. Eu gosto muito dele. Mas não posso. Não quero. Ele é chato, mala. Sai daqui, garoto. Daqui a pouco ele vai precisar de mim ou eu vou precisar dele. E seremos mais um casal. E se eu quiser ficar desfacelada num canto e ele sofrer com isso? E me ameaçar, como todos, dizendo que vai deixar de me querer só porque sou assim, tão incapaz de querer? Ele vai descobrir. Eu estou morta. Ele vai descobrir. Eu morri há muitos anos quando era para eu ter morrido. Por isso não acendo a luz, minhas plantas são um pouco secas e murchas, minha casa é rachada, bagunçada, suja, mal assombrada. Não quero planejar, sair da cidade, ter um filho, conhecer seu melhor amigo, ver suas fotos, largar esse cigarro maldito, cuidar dos meus dentes, colocar perfume, fazer um exame de saúde. Não quero. Porque eu estou morta. Eu nem saio mais em fotos. Sou um fantasma. Amo com a intensidade de um último sopro, mas sempre morro em seguida. Ele vai descobrir. Ele vai me amar muito porque nessa tentativa de amar sou tão única e especial e absurda e perfeita e tudo. Mas depois. Nada. Vou deixar que ele me reanime com o choque e então será tão bom. Mas depois. Quieto e sereno como os elefantes que sabem o dia que vão morrer. Vou caminhar enorme e derrotado e cinza e sem drama para a minha vala. Ele me abraça e é tão bom. Ele é só mais um tentando me salvar. São sempre os bonzinhos e puros que caem no meu papo furado de longa espera por algo que valha. Faço eles se sentirem um presente do mundo pra mim. Finalmente o escolhido. Os desembrulho de tal modo e eles têm certeza. É a primeira vez que se abrem. Agradeço a surpresa e torno a vida deles tão superior a tudo que já foi vivido que fica praticamente impossível voltar pro mundo. Ele pergunta o que eu tenho. E então começa o festival de sempre. Tenta me alegrar e eu ignoro. Tenta me emocionar e eu ignoro. Se fecha e eu ignoro. Me enche de beijos e eu reclamo. Estou fedida. Me deixa, me deixa. Ele desiste e desaba no meu sofá. Ele não sabe o que fazer. É o desfecho grandioso da crueldade do meu personagem. O momento em que deixo claro que a pessoa quase conseguiu. Algo impossível e você chegou tão perto! Nunca ninguém chegou tão perto! Por que você foi estragar tudo no final? Eu estava a fim. Abri minha casa para você. Você tinha tudo pra me dobrar. Mas você não conseguiu. Balanço a medalha na frente dele pra depois dizer que nunca ninguém chegou tão perto de usá-la. E então, lanço o caralho da medalha pra puta queu pariu. Ouvimos o som dela se espatifando longe e para sempre. O garoto vai embora se achando um lixo. Mas conforme anda, volta a sentir seus músculos e cores e sentidos. Que sensação é essa que mata a gente só porque escapamos da morte? De cada amor, tu herdarás só o cinismo. Ele vai embora enquanto espio. Eu vou embora junto. Quem é que fica?”

- Tati Bernardi.

2008 já é passado…

Janeiro 10, 2009

eu poderia chegar e dizer apenas que esse ano que passou foi péssimo.
de fato houveram muitas coisas ruins, mas repensando tudo eu digo: 2008 foi o melhor ano que eu já vivi.
de menina à mulher, com tudo que se tem direito.

“Mudei muito, e não preciso que acreditem na minha mudança para que eu tenha mudado.”
Caio Fernando Abreu

dois mil e … ?

Julho 29, 2008

Eu estava brincando quando disse que queria voltar a ser a Gabriela do ano passado, mas parece que Deus achou que eu estava falando sério.
Deus, eu estava brincando, ok?!
Por favor, me deixe parar de trazer arrependimento atrás de arrependimento pra minha vida!

Meus textos não estão rendendo e eu acho isso ótimo! (Juro!)

Monólogo.

Julho 1, 2008

Sinto-me presa num mar de sentimentos, muitos deles desconhecidos.
Logo eu, que sempre fui tão fria… Mas que ironia do destino.
(Ou talvez seja amadurecimento.)
Sofrimento, talvez.
(Dúvida.)
O mundo girando freneticamente e eu aqui, parada, esperando, esperando…
Esperando o que? Eu nem sei o que esperar.
(Talvez amor.)
Talvez eu até saiba.
(É claro que você sabe.)
Talvez eu até já tenha tido motivos pra parar de esperar, mas porque continuo então?
(É medo.)
Acho que é pra poder perder e continuar a esperar.
(É medo de amar!)
Porque não assumo que encontrei e paro de esperar por nada?

Vou fazer acontecer.

(25 de Novembro de 2007)

Mudança…

Julho 1, 2008

essa palavra sempre me assustou um pouco, mas chegam momentos em que ela é inevitável.
mudei, mudaram, mudamos e sempre vai mudar.
dias felizes tornaram-se sem sentido algum. mas ainda continuam sendo lembrados como dias felizes, mesmo que sua concepção de felicidade tenha mudado junto com você.
a minha mudou.
não que eu tenha deixado de gostar das mesmas coisas ou de fazer tudo como sempre.
a questão é que tinha que mudar.
mas porque?
estava tudo tão bom. há anos, a mesma rotina. eu nao me importava, pra falar a verdade eu até gostava.
mudou. conheci novas formas de felicidade.
vai continuar mudando e eu não quero mais ter uma rotina.
quero ir ao cinema sozinha e fazer tudo que eu sempre tive vontade.
quero mudança, quero amor.
vou mudando, deixo a vida me levar, deixa o tempo escolher o que é bom pra mim.
vou levando e sendo levada por uma vida que muda a cada instante.
sou inconstante, agora.
e gosto, até a próxima mudança.